Que simples prazer te deixa feliz?
O que passa imperceptível aos sentidos e olhos de outras pessoas que cruzam o seu caminho, mas que traduzem verdadeiras alegrias infinitas à sua alma?
Simplesmente esquecemos de lembrar que nos foi dada a graça de viver em uma cidade cuja natureza abusou no quesito beleza, um lugar mais do que aprazível, para não dizer inigualável.
Não pretendo aqui ser apenas mais uma a enaltecer, a louvar os predicados da Cidade Verde. Todos eles já são sabidos por quem nela habita e por quem está somente de passagem mas promete voltar, ou ainda por aqueles que cedem aos encantos do “recanto bonito do Brasil” e decidem fincar raízes de vez. Tais predicados de nossa cidade só precisam mesmo é ser (re)descobertos, constantemente. Cada um tem a sua maneira particular de vivenciá-la, de senti-la. No meu caso, em qualquer hora do dia, em horário de trabalho ou ócio, me dou conta da generosidade de Deus, em viver num lugar tão mais cheio de encantos do que os mais desavisados supõem. Falo aqui de minha honra e felicidade em presenciar, de um jeito tão só meu, a bem-aventurança de ter a dádiva da sensibilidade que vai além do que o alcance dos olhos permitem. Falo do cotidiano tão rico em detalhes, que me toca de uma maneira tão singular e ao mesmo tempo, tão intensa.
Falo da paz encontrada nos bancos da nave principal da Igreja de São Francisco em um final de tarde, onde já busquei refúgio tantas vezes; onde apenas os passarinhos têm permissão de quebrar o sagrado silêncio daquelas paredes seculares.
Falo do encantamento quase que hipnótico do pôr-do-sol às margens do Rio Sanhauá, em qualquer ponto que estejamos.
Falo da lua cheia, encantada e dourada, emergindo das tépidas águas do Cabo Branco.
Falo com imenso orgulho de seu Centro Histórico, pavilhão de infinitos tempos idos, abrigando o presente e aguardando com esperança melhores tempos vindouros.
Falo da nossa tão familiar Lagoa do Parque Solon de Lucena, cujas palmeiras imperiais que a rodeiam fazem jus ao nome, de tão belas e imponentes.
Falo da riqueza vestida de verde, com suas guirlandas de ipês e acácias, a enfeitar e colorir o concreto cinza, criando matizes únicos.
Com todo o respeito que tenho pela obra de Zé Ramalho, um dos expoentes da música paraibana, discordo do primeiro trecho da música “Jardim das Acácias”, feita para João Pessoa, que diz:
“Nada vejo por essa cidade, que não passe de um lugar comum...”.
Esse mesmo Jardim das Acácias transpira belas mutações a cada milésimo de segundo nas pequenas coisas. Coisas que só serão vistas e sentidas por quem realmente tem o coração aberto para receber tal dom.
Recomendo a você, caro leitor, um exercício mais do que salutar à sua vida. Na busca frenética, incessante e necessária pelo vil metal, o que fatalmente nos deixa com os nervos à flor da pele, experimente parar apenas por um instante para respirar fundo e vislumbrar o que existe ao seu redor. Não com olhos impacientes, atentos à cobrança do relógio, mas sim aos mínimos detalhes. O tempo é sempre agora. Detenha-se por um segundo que seja, e aflore a sensibilidade que clama por sair de dentro de sua alma, a fim de servir de bálsamo a toda uma vida de atribulações.
Olhai o Jardim das Acácias! Olhai com sabedoria! Então você será presenteado com a percepção de que, todos nós, sem exceção, somos dotados de uma visão além do alcance. De uma visão capaz de possibilitar a compreensão e concordância com o segundo trecho da mesma música de Zé Ramalho citada acima: “... mas o solo é de fertilidade.”
Fertilidade sim, de vida pulsante. Pulsante e verde, como sempre foi e sempre será, em toda a sua existência.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário