quarta-feira, 26 de março de 2008

Ai ai... Sempre Cecília Meireles!...


VALSA



Fez tanto luar que eu pensei nos teus olhos antigos

e nas tuas antigas palavras.

O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos,

que tornei a viver contigo enquanto o vento passava.




Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto

e modelou tua voz entre as algas.

Eu moro, desde então, nas pedras frias que o céu protege

E estudo apenas o ar e as águas.

Coitado de quem pôs sua esperança

nas praias fora do mundo...

- Os ares fogem, viram-se as águas,

mesmo as pedras, com o tempo, mudam.



(Cecília Meireles)

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